João Pessoa, 26 de Maio de 2019

COLUNISTAS

Paraíba
14/05/2019 as 18:27min - Wellington Farias
Como reagirão a API e o Sindicato dos Jornalistas ao insulto de Estelizabel a Thiago?

Aguardamos com muita expectativa uma manifestação da Associação Paraibana de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas rechaçando, como o máximo de veemência, a atitude da deputada Estelizabel Bezerra, que detratou de forma impiedosa o nosso colega Thiago Morais, editor e repórter do Paraíba Rádio Blog.

Para surpresa de todos, ao ser abordada nosso colega, Estelizabel recusou-se a responder às suas perguntas. Mais que isso: insultou (pasmem) que ele praticava o “jornalismo de esgoto”. Um procedimento deplorável, sobretudo, partindo de uma parlamentar que se diz progressista, defensora da liberdade de expressão, e disposta a conviver com os contrários. Detalhe: Estela é jornalista, embora eu jamais a tenha visto atuando nas redações por onde passei nestes quase 43 anos de prosissão, ou em qualquer outra atividade inerente ao jornalismo. Não basta ser jornalista, não basta ter diploma: tem que ter alma de jornalista...

Um reparo: eu havia dito que para surpresa de todos referindo-me à atitude da parlamentar. Mas diria que surpresa para “quase todos”. Para mim não, porque, em pelo menos duas ocasiões, Estelizabel Bezerra ou alguém ao seu mando pediu a minha cabeça em bandeja no Sistema Correio de Comunicação, onde atuei como profissional por uns 30 anos, entre idas e vindas.

A primeira vez foi quando ela era secretária de Comunicação do Governo Ricardo Coutinho. Da sua lavra ou da lavra dos seus escribas subordinados, escoou para o celular do ex-senador Roberto Cavalcanti, o comandante-em-chefe do Sistema Correio de Comunicação, uma mensagem mentirosa reclamando que eu teria, na TV Correio, sido impiedoso com ela, ao fazer-lhes críticas desrespeitosas ao seu estado de luto, exatamente no dia da morte ou sepultamento - a memória não me permite precisar - do seu pai. A mensagem por sí só se desmoralizou porque aquele era o único dia da semana em que eu não tinha participação no programa de TV.

Ora, geralmente uma queixa de um secretário de Comunicação do Governo à direção de um veículo de comunicação com aquele teor soa como um “pedido de cabeça” do profissional em questão. Na maioria das vezes funciona. Mas no Sistema Correio não funcionou. Muito pelo contrário, como quem diz daqui você não sai, o doutor Roberto simplesmente chegou perto de mim e disse: “Olha o que me mandaram”. Era a tal mensagem. Nada mais foi dito e nem perguntado e o pedido nunca foi atendido.

Em outra ocasião, quando eu integrava a bancada do programa semanal da RCTV, do mesmo Sistema de Comunicação, e a entrevistada era exatamente Estelizabel, ao final da entrevista, como de costume, eu saí primeiro que todos. Meus colegas, como de hábito, abordaram a entrevistada sobre o desempenho do programa. Estelizabel de pronto respondeu: “O programa é muito bom, menos esse rapaz que acabou de sair”, referindo-se a mim.

Como já disse, uma atitude dessa partindo de uma secretária de Comunicação é o mesmo que um “pedido de cabeça”. Detalhe: Ninguém levou a sério a indevida atitude de uma pessoa que deveria entender muito bem que fazer jornalismo é fazer as perguntas incõmodas que eu lhe tinha feito e não levantar a bola para ela chutar.

Como se vê, a jornalista e deputada Estelizabel é uma criatura contraditoriamente incapacitada para a boa convivência dos contrários.

Eu tenho restrições a algumas atitudes de Thiago Morais como, por exemplo, priorizar quase como pauta única, tudo aquilo que seja contra Ricardo Coutinho e os Girassois. Com toda a certeza ele também deve ter restrições a algumas atitudes minhas. Faz parte, o contraditório é fundamental; o consenso, o discurso único é ditatorial e, portanto, incompatível com a democracia e parece coisa de fascista.

Agora, as nossas entidades representativas – Sindicato dos jornalistas e Associação Paraibana de Imprensa – têm o dever de se manifestar a respeito, para que não se torne moda essa história de detratar-se jornalistas simplesmente porque não são seus aliados, ou simplesmente não se dispõem a por a bola no centro do pênalti para eles chutar.

Vamos aguardar o posicionamento das entidades que nos defendem.

 

Wellington Farias

 


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