João Pessoa, 22 de Maio de 2019

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Brasil
12/04/2016 as 14:16min - Marcos Souto Maior Filho
A EXCELÊNCIA PARDA

Recebi na manha de ontem a crônica do meu Pai, Des. Marcos Souto Maior, que ante a primosidade do texto e qualidade da pena, ouso em replicar na minha coluna do PB Agora:

Eis que, muito em voga nos dias atuais, reaparece escancaradamente, a política no Planalto brasileiro, borbulha nos caldeirões de seguidos escândalos e escândalos, sob o comando de excelências pardas notáveis e muito ativos até, que achei dedicar numa releitura apurada na vetusta das eminências intocáveis, dos períodos áureos franceses. Sempre foram pessoas que se julgam e arrotavam poder na cara, para influenciar governantes abestalhados e até mesmo, chefes de estados sem pulso para comandar seu povo. Nas histórias antigas, diziam que homens desse tipo, eram iguais a um cão chupando manga, para se alimentar do sangue da pessoa e, depois cuspir enxugando com o lenço da vitória. Também se escondiam maliciosamente, atrás de belas cortinas das janelas das salas e, até do quarto dos casais, onde a intimidade da família passavam para serem memorizadas pelos espertos artistas e, para aplicação de óleo em telas pintadas, quando ainda não existiam fotografias... Daí, o saudoso escritor, poeta e dramaturgo brasileiro, Orlando Neves, em seu “Dicionário das Origens das Frases Feitas”, seriam aqueles que, dissimuladamente ocultam secretamente, influenciam quem detém poderes de mando, sem se dar a conhecer. A importância ficou com um emérito Assessor e Conselheiro, ativo e capcioso nos bastidores sem oficialidade que lhes mostramos, aos leitores.

Seguindo a história, a primeira pessoa que foi conhecida por tal designação pública, foi o modesto frade capuchinho francês Père Joseph, em vida secular sendo apenas, François Leclerc de Tremolay, viveu entre os anos 1577 e 1638, notabilizou-se por ter exercido de principal conselheiro do grande e inolvidável, Cardeal Richelieu, mesmo sem ter funções especiais na restrita, Corte do Direito. Nosso herói passou a ser conhecido nas rodas francesas sob a conduta de ‘éminence grise’, em razão dos famosos e alinhados trajes beges, que chamavam atenção de quem ouvisse suas palavras ou ainda, atuando nos bastidores do poder sem qualquer oficialidade. E a rígida disciplina estipulada do mestre e arquiteto do absolutismo francês, Duque de Richelieu, aliou-se aos protestantes e traspassou para a Europa a fim de assegurar a tranquilidade do seu povo, chefiando o Conselho do rei. Exemplo meritório, sim, de uma excelência parda nos áureos tempos de 1624, deixando um tesouro para o mundo, com seu “Testamento Político”, peça histórica impecável para os estudiosos.

Na política brasileira, um tanto pecaminosa, tinha também o gosto doce das eminências pardas e, logo transmudou completando com a palavra ‘excelência’, vieram para caracterizar um sujeito sem escrúpulos, mesmo assim, também era de muita inteligência, agilidade e conversadora que,não detém cargo supremo oficial contudo, sempre esteve nos locais e oportunidades maiores do poder, sem deixar qualquer mancha de usurpação, por ser o verdadeiro todo poderoso, no âmbito de tudo que se passa, por dentro e por fora, no governo escalado. Interessante, que ninguém ousava escacaviar os documentos secretos, felinamente jogados entre sonhos e desejos pessoais. E, a qualquer custo ele obtém desvios de verbas importantes para um povo faminto e sofrido, a exemplo da educação, saúde, habitação e segurança pública. Muitos homens de linha brasileira séria, a partir de 1964, podemos destacar: Roberto Campos, Delfim Netto, Golbery do Conto e Silva, Alfredo Buzaide, Petrônio Portela, Leitão de Abreu e Mário Andreazza. A vida continua e as excelências pardas, continuam mandando, seja qual forem os seus partidos. Restamos a esperança de Santo Agostinho, com seu eloquente texto imortalizado a dizer: “Pois o Deus Todo-Poderoso por ser soberanamente bom, nunca deixaria que qualquer mal existir nas suas obras se não fosse bastante poderoso e bom para fazer o bem do próprio mal."

 

Breve informações sobre o autor da crônica: Marcos A. Souto Maior é natural de João Pessoa (PB), onde nasceu em 31/05/1946, e reúne um vasto currículo. Advogado inscrito na OAB-PB sob no 1.032, é Desembargador do Estado da Paraíba aposentado, tendo exercido os cargos de Vice-Presidente e Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Presidente e Vice-Presidente do TRE-PB, Presidente do Conselho Superior da Magistratura da Paraíba, Presidente das Câmaras Criminal e 1ª Cível do TJPB, Governador interino do Estado da Paraíba, Secretário de Cultura, Esportes e Turismo da Paraíba, Secretário de Serviço Social da Paraíba, Procurador Autárquico da Superintendência de Obras do Estado - SUPLAN, Procurador da CINEP - Companhia de Industrialização do Estado da Paraíba, Vice-Presidente da OAB-PB, Conselheiro seccional da OAB-PB e Diretor da Faculdade de Direito da UNIPÊ. Hoje atua como advogado parecerista e professor universitário, sendo o Diretor-Presidente da Souto Maior Consultoria S/C.

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