João Pessoa, 20 de Maio de 2019

COLUNISTAS

Política
28/02/2019 as 19:49min - Wellington Farias
É bom que João continue o projeto de Ricardo, mas tem que se livrar das amarras

O projeto de gestão que se atribui ao PSB e que, de fato, foi todo pensado e executado pelo ex-governador Ricardo Coutinho, já foi testado ao longo de oito anos no Governo no do Estado, e mais seis anos na Prefeitura de João Pessoa. Está aprovadíssimo pelos paraibanos. Basta ver os resultados das eleições recentes.


Um bom projeto, que tem deixado grandes resultados e registros históricos de realizações. Não há dúvidas quanto a isso, e o resto é mi-mi-mi de derrotado; murmúrio noturno dos fracassados nas urnas...


Nada melhor para este Estado (que em outras mãos andou caindo pelas tabelas) que o atual governador dê continuidade ao trabalho do antecessor. Muito bom, sobretudo neste momento, em que o Brasil anda mal das pernas e sem saber pra onde vai, com um novo presidente mais perdido que cachorro que cai de mudança e “orientado” por três filhotes deslumbrados que dão as cartas na República. 


Passados dois meses da gestão de João Azevedo, porém, começa a fica claro: para governar, João precisa ser o governador de direito e de fato. Deve fidelidade ao seu padrinho político Ricardo Coutinho? Deve! Sem ele João estaria na chefia do Executivo? Jamais! Mas para que as coisas andem, fluam e a máquina azeite, é preciso que ele tenha plena liberdade para fazer o que lhe der na telha na meta de tocar o projeto. Não há como destravar as ações tendo que pedir ou dar satisfações a quem quer que seja.


Desde o seu início, a gestão de João Azevedo está notoriamente engessada. O governador parece estar naquela de ser comparado com a rainha da Inglaterra: reina mas não governa... Não é bom. Nem pro governo, nem para uma figura pública com o histórico e o perfil de João Azevedo. 
Sejamos sinceros: teria Ricardo Coutinho feito as gestões que fez sem a autonomia necessária a qualquer gestor, com uma equipe que não fosse da sua livre escolha e sobre a qual tivesse total autonomia, de nomear e exonerar? Claro que não.


Toda gestão se inicia com medidas de impacto, com novidades, com ações destinadas a (também) mostrar o novo governo tem sua própria marca e anda com suas próprias pernas. Mas com João não aconteceu aquilo que se convencionou a chamar de arrumação da casa. Não que a casa estivesse desarrumada, mas arrumar no sentido de imprimir o seu estilo próprio.


João Azevedo é, como todos sabem, um técnico competente. Conhece os problemas da Paraíba como poucos. Sobre ele jamais se ouviu qualquer coisa que comprometa a sua reputação, seja como pessoa ou como homem público. Como político, embora neófito, começou botando “pra taba do mei gemer”, derrotando os esquemas e cacifes políticos mais importantes do Estado.


A sua gestão, porém, move-se lenta demais. O que dela se divulga dá a impressão de que ele apenas está tomando conta do pedaço, mas não é galo do seu terreiro...


Equipe


Qualquer pessoa minimamente acompanha o que gravita em torno do mundo político percebe que João Azevedo governa com uma equipe que não é totalmente do seu agrado nem da sua escolha pessoal. Sobretudo as peças chaves são impostas pelo seu antecessor. Algumas delas, mais atrapalham do que ajudam...


Sustentação


A dependência de João Azevedo a Ricardo Coutinho também tem desdobramentos no campo político. Sem autonomia absoluta, ele tem enorme dificuldade de compor a sua base aliada. Uma base que herdou bastante sólida e fiél ao governo na gestão de RC, mas na dele dá sinais de se diluir aos poucos...
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Wellington Farias

 


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