A não ser por algum excesso – como o detalhamento constrangedor das sevícias sexuais – a imprensa procedeu muito bem na divulgação deste rumoroso caso de abusos sexuais praticados contra um (ou uns?) aluno do renomado colégio Geo-Tambaú, da rede particular de ensino de João Pessoa. Aliás, pode até ter evitado que a apuração continuasse em banho-maria ou, quem sabe, terminasse em nada. Afinal, estamos no Brasil…

Desde maio do ano passado, depois de denunciado pelos pais da vitima, este escândalo vinha sendo mantido sob sete chaves, em segredo de Justiça, mas terminou vazando para a imprensa. Sobre o vazamento consta que, no “farejo” de uma operação policial, o repórter Emerson Machado terminou descobrindo o que a polícia estava investigando, como também qual a escola que ambientou os acontecimentos lamentáveis. Qualquer jornalista teria feito o que os coleguinhas fizeram: aguçar o faro, apurar os fatos e torná-lo público.

É um caso estarrecedor em que jovens adolescentes estariam abusando sexualmente de uma criança de oito anos, supostamente com a conivência e participação de um zelador da escola. Os nomes da vítima e autores das sevícias não foram divulgados, porque se tratam de adolescentes.

A imprensa limitou-se ao seu papel de apurar o que aconteceu, divulgou o nome da escola onde os fatos aconteceram, levou ao ar áudios de uma reunião de pais indignados com a postura da escola.

Controvérsia

Nos círculos jornalísticos e advocatícios houve controvérsia sobre a conveniência ou a legalidade de divulgação, ou não, do nome da escola. Eu concordo totalmente que seja divulgado. A sociedade precisa saber a que tipo de escola está entregando os seus filhos. Alguém, de sã consciência, por exemplo, matricularia o seu filho num educandário sabendo que ali há sevícias sexuais de alunos, ainda mais com a suposta conivência de funcionário da própria escola?

Passado um ano do fato denunciado e em processo de investigação, somente na segunda-feira última, em meio a uma reunião de pais indignados, o Colégio Geo tomou a providência no sentido de que todos os alunos só irão ao banheiro acompanhado por alguém representante da escola. Ai gerou outra controvérsia, sobre a legalidade ou conveniência de alguem acompanhar outro na sua ida ao sanitário…

Em tempo: um mês após a denúncia, a escola, segundo noticiou a imprensa, teria demitido o zelador acusado de ser conivente com o caso. Esta semana, porém, a Justiça negou o pedido de prisão do tal cidadão que fora dispensado, enquanto determinou a apreensão de tres menores acusados de praticar o estupro, contra quem o Colégio Geo não teria tomado qualquer medida, segundo o que foi noticiado.

A imprensa tem das duas, mas não foi desta vez…

 

Wellington Farias

 


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